Salve, kamarada!
Na seleta de hoje, teremos uma reflexão a partir de notícias da editoria de Ciência sobre segurança no consumo de maconha e uma réplica sobre a consulta pública aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) sobre a inclusão da Cannabis na lista de plantas cultivadas em solo brasileiro.
No mais, a cantora Ivete Sangalo marca presença para irmos além da fofoca. E, acompanhando notícias relacionadas a agentes relevantes da política brasileira, uma vez que entramos em ano eleitoral, deixo uma dica de ouro para ficar de olho e apertar o verde conscientemente nas próximas eleições.
Vamos lá? Boa leitura!
Existe um limite “seguro” para consumo de maconha? Novo estudo estimou (Galileu)
A matéria publicada pela Galileu sobre um estudo que estimou que 40 miligramas de THC seria uma dose adequada para reduzir os danos do chamado “uso recreativo”, publicado na revista científica Addiction por pesquisadores da Universidade de Bath, na Inglaterra, é mais um caso de publicações que se vestem de achados robustos e determinantes quando, na verdade, não se sustentam.
A amostra é irrelevante frente à quantidade de pessoas usuárias e suas características biopsicossociais; o foco permanece no THC como um grande vilão e a abordagem trata a abstinência como a única solução segura. Fica o questionamento: segura para quem? Obviamente, discutir os efeitos colaterais do uso fumado e abusivo tem suas justificativas plausíveis, mas, da forma como está sendo posto, configura um desserviço.
Na tentativa de contornar isso, mais uma vez, vou utilizar a “carta Sidarta Ribeiro”. Clique aqui para conferir a entrevista veiculada pela Veja na qual o neurocientista faz um balanço sobre os efeitos, incluindo uma explicação sobre o Efeito Entourage e os motivos pelos quais não podemos analisar o uso de maconha reduzindo-o ao efeito de apenas um canabinoide. No jogo da disputa de narrativas, contra-argumentações baseadas em suas pesquisas funcionam como um Super Trunfo!
“Não poderia ter 20 anos de estrada se usasse droga”, diz Ivete Sangalo (UOL)
A declaração da cantora baiana, após viralizar um vídeo que caiu no tribunal da internet e da ampla discussão pública sobre um suposto uso de cocaína que seria responsável pela energia da artista, acende um debate que tem diversas camadas, entre elas: o estigma de usuários e o julgamento de valor a partir do uso de determinadas substâncias, sobretudo quando falamos em drogas ilícitas.
É super compreensível que Ivete saia em sua própria defesa, mas não podemos deixar de perceber que colocar métricas de sucesso relacionadas ao não uso de drogas é uma declaração infeliz. Nem todo uso é problemático; carreiras brilhantes podem ser trilhadas por pessoas que fazem uso de substâncias. Além disso, falando em performances funcionais, não existe outra explicação que não a régua moral de uma sociedade que aceita substâncias lícitas para manter a produtividade, como o café, mas utiliza o sucesso como um atestado de “pureza” em relação às ilícitas.
MAPA abre consulta pública e inclui Cannabis e cânhamo em lista oficial de plantas cultivadas
O portal Cannabis e Saúde divulgou que o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) finalmente tirou a venda dos olhos e deu um passo crucial para tirar a Cannabis da invisibilidade institucional: a planta foi incluída na consulta pública instituída pela Portaria SDR/MAPA nº 815, que revisa a lista oficial de espécies cultivadas no Brasil.
Embora não seja uma canetada de liberação imediata, essa movimentação desloca o debate do campo do tabu moral para o terreno da racionalidade técnica, reconhecendo seu potencial produtivo como motor de inovação. É a ciência e a economia forçando a abertura de uma porta que o proibicionismo tentou manter trancada, legitimando a Cannabis como cultura agrícola legítima e estratégica para o país.
Para fechar, vamos falar sobre a matéria do Brasil de Fato que contextualiza e traz os depoimentos dos participantes da reunião realizada na última terça-feira (9). O encontro entre Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy e as associações de pacientes não é apenas um gesto simbólico; é um movimento estratégico para tirar a Cannabis do limbo jurídico e colocá-la no orçamento público.
Enquanto a Anvisa se perde em tecnicismos, a vida real exige o que foi discutido nessa reunião: regulamentação que garanta o acesso democrático à terapia canabinoide e o apoio direto às associações que, hoje em dia, cumprem o papel do Estado.
E agora, um alerta seguido de dica: ano eleitoral, komunidade!
Não é de hoje que vemos ao menos dois cenários: candidatos que fogem da pauta por medo de afastar eleitores e agentes que levantam a bandeira como uma aposta progressista, seja para angariar votos ou porque de fato se movimentam nesse sentido.
Para separar o joio do trigo e acompanhar quem genuinamente se coloca a favor da pauta, visando uma reforma na política de drogas, vale revisitar a Kamah Zine #7, que, em parceria com a Iniciativa Negra, desenha um panorama de assuntos relacionados às eleições municipais de 2024 e o campo da política de drogas, que serve de guia para pensarmos nos próximos pleitos estaduais e federais.
Bastante coisa para pensar, não é mesmo?
Semana que vem eu volto com mais atualizações para seguirmos nadando no mar da informação e treinando o pensamento crítico para ficar com o cérebro marombado, pronto para qualquer flexão quando a pauta é maconha e política de drogas!
Até a próxima!

