Salve, kamarada!
Bora pra nossa seleção comentada de matérias relacionadas à maconha e à política de drogas que ocuparam o noticiário brasileiro na semana passada. É Carnaval no Brasil, mas as notícias não param!
Matérias sobre Redução de Danos (RD) funcionam como uma baita prestação de serviço à sociedade. Por isso, abrindo as alas da seleção, destaco duas publicações que têm tudo a ver com o tema.
Na sequência, a maconha foi parar no sambódromo como parte do enredo de uma escola de samba paulistana. Obviamente, esse acontecimento não ficaria de fora da seleta. Pra fechar, reflexões sobre o aumento do consumo de drogas ilícitas no país.
Boa leitura!
Redução de Danos em pauta
No pré da folia que mobiliza o país, já tivemos um gostinho de que a Redução de Danos viria como destaque na editoria da Revista Breeza. E assim seguimos!
Uno Vulpo, batizado por Anita Krepp como “Guru da Putaria Consciente”, é um médico e designer gráfico brasileiro que permeia o conteúdo sobre sexo e uso de drogas de sua página no Instagram (@sento.mesmo), espalhando a palavra da RD. Além de nos contar sua jornada, Uno fala sobre estratégias para abordar temas tabus na rede e traz uma reflexão importante sobre a linha tênue entre a apologia ao uso e a apologia ao cuidado, que é exatamente o que a Redução de Danos prega. Vale a leitura!
Ainda no assunto, o Brasil de Fato colocou o tema em pauta ao trazer a RD como manchete na escrita de Renan Santos, professor de biologia da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais. No artigo de sua coluna Ciência, coisa boa, o autor introduz o assunto reconhecendo que o uso de substâncias nos acompanha desde sempre. Ele explica histórica e conceitualmente a RD e coloca as cartas na mesa sobre o porquê de ser mais inteligente encararmos o fato seguindo suas diretrizes.
🔗 Você já ouviu falar de Redução de Danos?
Soft Power e a “Verdinha” na Avenida
O cientista político Joseph Nye cunhou o termo soft power para se referir à habilidade de um país de seduzir e atrair em vez de coagir, ou seja, o “poder do convencimento” através da cultura, dos valores políticos e das políticas externas. O Carnaval sempre foi um exemplo de soft power brasileiro, e a escola de samba Águias de Ouro serviu muita influência quando o assunto é a verdinha!
Colocar a maconha como parte da estrutura para traduzir o enredo imageticamente na avenida, e mais, nomeando uma ala como “Cannabis, o Verde Permitido”, não é pouca coisa. A escola acertou em cheio ao trazer uma referência externa de Amsterdã que dialoga diretamente com a nossa realidade e com o cerne da questão: a liberdade. Em tempos nos quais a discussão sobre o uso adulto deve caminhar junto ao marco regulatório para o uso terapêutico, isso é ouro!
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Consumo de drogas ilícitas cresceu cerca de 80% no Brasil de 2012 a 2023 (Nexo)
Agora, vamos falar sobre dados de consumo. O Jornal Nexo publicou uma matéria que revela o crescimento médio de 80% no uso de drogas ilícitas no Brasil em pouco mais de uma década, segundo o 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), conduzido por pesquisadores da Unifesp.
De acordo com a matéria, esse salto impressionante ocorreu entre 2012 e 2023, com a maconha e seus derivados ocupando o posto de substâncias mais utilizadas. O aumento foi observado em ambos os sexos, mas chama a atenção o fato de que o crescimento proporcional entre as mulheres foi quase o dobro do registrado entre os homens.
Além da maior experimentação, os dados indicam que o acesso a essas substâncias e a solventes é percebido como fácil por boa parte da população. Isso gera um alerta sobre o possível aumento de transtornos de saúde relacionados ao uso frequente.
Tendo isso em vista, volto a puxar o assunto da Redução de Danos como ferramenta e da necessidade de políticas públicas que apliquem suas diretrizes, tanto no cuidado quanto no campo das leis. A reforma da Lei de Drogas, que este ano completa 20 anos, é urgente! Se a ilicitude oferece mais riscos que a própria substância, já temos um grande indício de que há algo errado nessa escolha política.
Representação e Representatividade
As notícias sobre a Anvisa, que definiu regras para o cultivo em solo brasileiro para fins medicinais e de pesquisa, além de introduzir a inovação do Sandbox (ambiente experimental voltado às associações de pacientes), continuam repercutindo, embora não tenham entrado no detalhe da seleta de hoje.
No entanto, vale ressaltar algo fundamental: ter um diretor como Thiago Campos é um ponto crucial para a transição que queremos. Um homem negro ocupando um cargo de decisão significa representação e representatividade. Em suas entrevistas, vemos que Thiago é um aliado, o que é importantíssimo para os próximos passos.
A luta continua e precisamos manter isso em mente, sobretudo em ano eleitoral, pois teremos a chance de escolher nossas representações governamentais em 2026.
Semana que vem tem mais! Até a próxima ;)

