Salve, Kamarada!
Nas notícias desta semana, o fio condutor é a legitimação: seja na memória histórica, no ambiente acadêmico, na ciência de longo prazo ou nos esportes, a planta e os direitos humanos estão ocupando cada vez mais espaços negados por décadas.
Vamos entender o que rolou?
Programa sobre Política de Drogas, Direitos Humanos e Saúde Mental da Fiocruz lança curso
A Agência Fiocruz lançou, no último sábado (28), um curso sobre Política de Drogas, Direitos Humanos e Saúde Mental. Trago este informe como um bálsamo em meio a tanto caos, pois ver uma instituição desse peso pautando o debate sob a ótica dos direitos humanos, e não da criminalização, é uma vitória política.
Precisamos de profissionais de saúde que entendam que acolhimento e ciência vêm antes de julgamento moral. É pela via educativa que vamos desamarrar os nós proibicionistas que ainda travam nossa saúde mental.
A notícia do jornal A Tribuna destaca um momento histórico: a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, estará em Santos na próxima quarta-feira para o lançamento do Centro de Memória às Vítimas de Violência de Estado no Brasil (CMVV).
Não dá para falar de política de drogas sem falar de memória e reparação. Dentre as organizações envolvidas, a matéria cita o movimento Mães de Maio, que nasceu da dor dos Crimes de Maio de 2006, e também a Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas, em colaboração com o ministério e organizações de direitos humanos.
Na luta antiproibicionista, sabemos que a “guerra às drogas” é, na verdade, uma guerra contra corpos e territórios específicos. Ter um espaço para que essas histórias não sejam esquecidas é o primeiro passo para garantir que o Estado pare de produzir novas vítimas.
Universidade brasileira vai iniciar estudo de 20 anos com Cannabis para prevenir Alzheimer
A notícia do portal Cannabis & Saúde traz um anúncio histórico: a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) está iniciando o que pode ser o estudo clínico mais longo do mundo sobre cannabis e Alzheimer.
A pesquisa COONFIA, coordenada pelo professor de Farmacologia Clínica Francisney Nascimento, com a colaboração da biomédica Maria Victoria Luz Gonçalves e do neurologista Elton Gomes da Silva, vai acompanhar por duas décadas pessoas saudáveis, com histórico familiar da condição, antes que qualquer sintoma apareça.
O foco é a prevenção, e não apenas o tratamento de quem já está doente. Investigar se o uso contínuo de baixas doses pode prevenir ou retardar o aparecimento da doença ao longo de 20 anos é a prova de que o Brasil está na vanguarda da pesquisa séria, buscando entender como a planta pode garantir a nossa autonomia lá na frente. O caminho é longo, mas o primeiro passo foi dado.
Portuguesa inova no futebol brasileiro com uso de CBD para recuperação de atletas
Deu no Sechat que o time de futebol Portuguesa anunciou o uso de CBD para a recuperação dos seus atletas.
A publicação, baseada em matéria televisiva do Globo Esporte, ressalta que a Lista Proibida do Código Mundial de Dopagem da Agência Mundial Antidopagem (WADA) segue permitindo o uso do CBD por atletas, considerando-o uma exceção quando se trata de canabinoides.
Quando um clube de tradição coloca o canabidiol no protocolo oficial, ele está dizendo que a performance e o bem-estar do atleta valem mais que o preconceito. Golaço!
Se tem uma coisa que a gente defende na Kamah é que a educação é a nossa maior ferramenta de redução de danos e de combate ao proibicionismo. Estamos saindo da fase do “será que funciona?” para a fase do “como vamos implementar e como vamos reparar?”.
Seguimos atentos, informados e, acima de tudo, inconformados com qualquer barreira que possa impedir o acesso universal à saúde e à justiça.
Até a próxima semana, lembre-se: informação também é remédio!

