Salve, Kamahradas!
A seleção desta semana joga luz sobre as peças que se movem no tabuleiro da regulação, no campo da pesquisa científica, da saúde e da repressão no Brasil, incluindo o avanço do acesso via SUS e o potencial de lucro do agronegócio.
MACONHA NA UNIVERSIDADE
Para começar, uma notícia animadora: a pesquisa científica sobre a Cannabis ganha força no Nordeste com uma iniciativa pioneira em Pernambuco.
A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) está se mobilizando para obter apoio político e angariar R$ 1 milhão em emenda parlamentar para construir um banco genético de Cannabis, em uma estrutura que permita o cultivo controlado de até 700 plantas para fins científicos.
O principal objetivo é adaptar a planta às condições climáticas da região e gerar uma base genética sólida para a produção de insumos que subsidiarão o desenvolvimento industrial e medicinal. Leia a matéria completa do Portal de Prefeitura para conferir os detalhes.
LUCRO LÍQUIDO SUPERIOR AO DA SOJA
Agora, vamos para projeções e demandas de regulação no setor industrial. A Forbes publicou uma matéria que aponta um relatório que revelou que o cultivo do cânhamo pode gerar um lucro líquido de R$ 23 mil por hectare, o que representa lucro 11 vezes superior ao da soja.
O alto potencial econômico reforça a pressão do setor agrícola pela regulamentação do cultivo no país, visando a diversificação dos produtos obtidos a partir da planta e o fortalecimento da economia rural.
A REPRESSÃO NÃO TIRA FÉRIAS
A Associação Canábica Medicinal (ASCAMED), organização gaúcha que oferece tratamento a cerca de mil pacientes, foi alvo de uma operação policial no dia 31 de outubro.
O caso, noticiado pelo portal Sechat e que repercutiu na mídia e redes sociais de ativistas e entusiastas nos dias seguintes à apreensão, expõe a fragilidade jurídica das associações, que seguem atuando na linha de frente do acesso em um limbo regulatório. O ativismo salva vidas, mas o aparato estatal segue criminalizando.
VIGIAR E PUNIR
O jornal regional Olhar do Sul noticiou que após a aprovação de uma lei estadual que multa o uso de drogas ilícitas em locais públicos, um jovem foi multado por fumar um na orla de Itapema. A notícia chamou a atenção pelo alto valor da punição, desproporcional à realidade financeira do autuado.
Trago uma reflexão: essa medida é de fato efetiva para sanar a questão do uso em área pública? Me parece mais cabível regular locais seguros para tal, já que não é de hoje que a proibição não freia o consumo e aplicar multas abusivas provavelmente não seja uma solução compatível com a realidade da maioria dos usuários.
USO TERAPÊUTICO EM PAUTA
Enquanto isso, no DF, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal lançou uma licitação no valor de R$ 2,3 milhões para a compra de medicamentos à base de canabidiol com a premissa de assegurar tratamento canabinoide via rede pública. Leia a matéria completa do G1, aqui.
Ainda no tema da cannabis e saúde, o Governo de São Paulo confirmou que vai utilizar a estrutura pública do estado, como a Fundação para o Remédio Popular (Furp), para fabricar produtos de Cannabis para uso medicinal.
Além de noticiar o fato, a matéria pautada pelo Sechat resgata a informação de que há 10 meses atrás, um Projeto de Lei que criava um programa de produção e distribuição de medicamentos à base de cannabis no estado, que seria conduzido pela Furp, teve veto assinado pelo vice-governador em exercício, Felício Ramuth (PSD), enquanto o governador Tarcísio de Freitas estava viajando para fora do país.
Considerando o que foi falado nesse giro, a pergunta que fica é: se o lucro e a saúde pública caminham a passos largos, quem lucra com a insegurança jurídica e a manutenção de uma lógica de guerra?
Enquanto não houver uma regulamentação completa e justa, o preço da desigualdade será pago pelas pessoas mais vulnerabilizadas. A luta por um sistema mais justo e que priorize a vida e a liberdade, segue sendo o caminho da nossa komunidade.
Até a próxima sessão!

