Salve!
Seguimos na missão de reunir e comentar as notícias sobre maconha e política de drogas, para que nossa komunidade fique por dentro do assunto e tenha bons argumentos na ponta da língua para falar sobre ele!
GABARITAMOS O CONAD!
Antes de entrar nos acontecimentos da última semana, vamos voltar a um fato que ficou de fora do texto passado e merece destaque, já que é uma vitória antiproibicionista! Começamos outubro com a boa notícia, divulgada no portal Gov.br, de que o Encontro Nacional para Eleição do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), que atuará entre 2025 e 2027, elegeu dez Organizações da Sociedade Civil que estão do nosso lado.
Para entenderem a importância disso, o Conad é o principal órgão do governo federal na definição e organização das ações sobre drogas no Brasil, no que se refere ao planejamento, gestão de recursos e articulação de políticas públicas. As organizações eleitas estão alinhadas com o compromisso de elaborar um Plano Nacional de Políticas sobre Drogas (Planad) centrado em direitos humanos, justiça racial e de gênero, e no cuidado em liberdade.
DESAFIOS PARA A INDÚSTRIA
Outro assunto que está na boca do povo há algum tempo, mas que precisa de um aprofundamento, é a implementação da indústria do cânhamo aqui no Brasil. Além das aplicações e das projeções financeiras que chegam a bilhões, a matéria “A nova era do cultivo industrial de cannabis no Brasil: estamos prontos?”, publicada no Valor Econômico, levanta uma questão pouco discutida: a gente precisa separar a indústria nichada, focada no produto final para uso terapêutico (que tem sido o foco por causa da regulamentação do cultivo, como falamos na semana passada), da capacidade de desenvolver uma indústria ampla, com foco em processos industriais, como os maquinários e as tecnologias necessários para isso.
MUDANÇAS NA OPINIÃO PÚBLICA
E agora, em números, a opinião pública sobre a liberação da cannabis para uso medicinal. Uma pesquisa do Poder Data, mostrou que 66% das pessoas entrevistadas são a favor, uma taxa que vem crescendo desde 2022. A série histórica começou com 61% de aprovação e teve um crescimento de 6 pontos em relação ao ano passado.
Para mudar opiniões já formadas, precisamos de mais discussões sobre o tema. Por isso, é importante que, além dos círculos familiares e sociais, existam porta-vozes influentes com grande alcance e credibilidade. Um exemplo disso, e uma notícia que merece destaque, é a comemoração de aniversário de 75 anos do ator Ricardo Petraglia, um notório defensor da causa canábica, que teve um bolo com o tema de maconha.
A relevância dessa notícia reside em dois pontos principais. Primeiramente, ela coloca um holofote sobre o tema, oferecendo perspectivas que vão além da visão proibicionista. Em segundo lugar, enfatiza a necessidade de combater o que o ativista denomina de “apartheid da maconha”, que é a lógica racista de associar o uso social da maconha a malefícios e criminalização, enquanto a cannabis é reservada para os benefícios terapêuticos. Essa distinção perversa reforça uma realidade excludente, apesar de ambos os termos se referirem à mesma planta.
Embora a matéria veiculada pelo Terra Entretê tenha abordado o preconceito social, é fundamental ter em mente que a proibição é estruturada por questões de raça e classe.
A escolha cuidadosa das palavras é crucial, pois ela carrega posicionamentos que impactam diretamente a mensagem que desejamos comunicar. Até a próxima sessão!
