Salve, kamaradas!
Ultimamente, não é raro encontrar notícias sobre política de drogas relacionadas ao governo Trump. Em meio a essas pautas, encontramos tanta inconsistência que pode até confundir: fã ou hater? Brincadeiras à parte, vamos falar sobre isso nas próximas linhas.
Além disso, também será abordada atualização sobre projetos canábicos aprovados em edital da Frente Parlamentar (SP) e também uma reflexão a partir de notícia sobre pesquisa que relaciona consequências do uso associado de maconha e tabaco. Boa leitura!
O governo Trump e a pauta canábica
Vamos começar com as notícias que envolvem Donald Trump e cannabis. Ora vemos notícias aparentemente promissoras, como por exemplo a que saiu no Info Money, que traz na manchete a informação sobre o presidente aliviar restrição à maconha através de uma reclassificação na lista de substâncias que a equiparia com analgésicos – e que ações de empresas canábicas subiram com essa possibilidade, e, por vezes, também encaramos fatos sobre medidas extremas para a manutenção da proclamada guerra às drogas, que se arrasta desde o governo de Nixon, e restrições de porcentagem de THC para produtos derivados – o que privilegia o mercado desenvolvido com foco em CBD, como ressaltado na matéria citada e que também já vimos por aqui.
Outra notícia que vale destacar, é a que saiu na CBN que destaca que mesmo declarando medidas bélicas contra o narcotráfico mundial, concedeu indulto a quase 100 acusados de crimes de drogas, incluindo Ross Ulbricht, fundador da Silk Road, condenado por criar o maior mercado online de drogas ilegais e outros produtos ilícitos.
Não é difícil ligar os pontos e perceber que as condutas sempre caem em questões econômicas, dinâmicas de poder e de segurança pública – quando deveria estar na ordem de saúde pública, não é mesmo?
Olhar para o cenário internacional é relevante porque essas movimentações também refletem no Brasil. A discussão sobre a regulamentação brasileira já é um debate bastante aquecido e, quando chega a nossa vez de ter marcos regulatórios para o desenvolvimento da indústria no país, é importante que a gente não seja guiado apenas pelo capitalismo e desconsidere a ampla gama de produtos e possibilidades de avanços econômicos e de justiça social que podemos alcançar com o desenvolvimento desse setor por aqui.
Anvisa e o mais do mesmo
Pegando o gancho do último parágrafo, infelizmente a gente já observa uma prática nesse sentido sendo aplicada no Brasil. O Portal 360 noticiou sobre o pedido de vistas e remanejamento para janeiro de 2026 da reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa referente à revisão da RDC-237/2019, que estava marcada para a semana passada.
Com revisão prevista para 5 anos após a implementação da normativa que define as regras para fabricação, comercialização e dispensação de produtos derivados de cannabis para uso terapêutico no país, a proposta de atualização segue privilegiando a indústria farmacêutica e ignorando a ampliação de acesso amplo e democrático, conforme constata a matéria da jornalista Anita Krepp.
Atualização sobre aprovação de projetos canábicos via edital da Frente Parlamentar da Cannabis
Agora, trago atualizações sobre as emendas da Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial. O G1 revelou os vencedores do 3o edital de Emendas, que vai destinar R$1,25 milhão à projetos relacionados ao uso terapêutico.
Ao todo, oito projetos foram aprovados e, ainda que tenham a cannabis como ponto de convergência, abordam temas diversos entre si: arte e cuidado psicossocial para mulheres sobreviventes do cárcere, efeitos do uso de cannabis em pacientes com insuficiência cardíaca somada à necessidades de cuidados paliativos, desmistificação do uso e ampliação do acesso, tratamentos odontológicos com derivados da planta, inserção da cannabis na agricultura brasileira, oncologia veterinária e as possibilidades de tratamento com derivados canábicos, uso em animais domésticos e agropecuária sustentável e, por fim, um projeto municipal de terapia canabinoide assistida.
Confira aqui as informações, em detalhes, dos projetos selecionados
Interação de substâncias: sobre a Ciência e o pensamento crítico
A próxima notícia comentada, replicada no Portal Terra, é sobre a interação de uso de cannabis e tabaco, o famoso Tabeck. O destaque não é pela notícia em si, que relaciona o uso associado com uma variação química no cérebro na qual substâncias responsáveis pelo humor, estresse e sensação de bem estar seriam diretamente afetadas, mas para a gente pensar sobre divulgação de dados científicos que envolvem substâncias e o entendimento que devemos ir para além da manchete e entender a pesquisa e sua metodologia antes de espalhar informações incompletas ou dar como fato absoluto algo que ainda precisa de mais evidências e aprofundamentos.
No caso da notícia em questão, embora o estudo da Universidade McGill, do Canadá, já tenha sido publicado na revista científica “Drug and Alcohol Dependence”, a amostra de pessoas analisadas é ainda pequena – apenas 13 participantes.
De todo modo, é interessante saber que as pesquisas estão se voltando à temas que a Ciência não estava se debruçando, e a interação de substâncias é um ponto extremamente relevante para quem faz uso. Aproveito para divulgar uma tabela de interações para conhecimento da nossa komunidade, divulgada pela plataforma Girls in Green.
Com essa dica chegamos ao fim de mais uma seleção. Aproveito para informar que com o recesso da Kamah, as atualizações da Kuradoria de Notícia retornarão a partir do dia 05 de janeiro. Até lá, aproveite para ler, ou reler, o que já temos no ar no Blog da Kamah e nas Kamah Zines já publicadas.
Me despeço desejando boas festas e um ótimo novo ciclo em 2026, que seja florido!
Até breve :)

