Salve, kamaradas! Bora para a primeira kuradoria de 2026?
Antes de começar, gostaria de reforçar algumas condutas adotadas para selecionar as notícias replicadas e comentadas por aqui:
- Notícias que abordam as questões sobre maconha, políticas de drogas e antiproibicionismo em solo brasileiro não são exclusividade, porém, são privilegiadas;
- Apreensões de drogas não são abordadas. Nosso intuito é ampliar o debate sobre a reforma da lei de drogas, fugindo do sensacionalismo que reforça estereótipos, racismo e a seletividade penal, servindo apenas à manutenção do proibicionismo;
- Links com paywall, ou seja, que precisam ser pagos para poder acessar, também não são incluídos. A conduta aqui, a depender da relevância, é buscar fontes que não têm essa barreira;
- Na editoria de Ciências, há cuidado para não replicar estudos alarmistas e que careçam de robustez científica sem que seja feito um alerta neste sentido;
- E, por último, mas não menos importante, reforço o compromisso em também dar espaço para especialistas e entidades que se debruçam sobre os temas aqui discutidos, numa perspectiva do campo antiproibicionista. O famoso “isso a Globo não mostra!”.
Dito isto, vamos para a seleta de hoje!
‘Comissão aprova mudanças em regra sobre porte de arma e uso de álcool ou drogas’
A Agência Câmara de Notícias divulgou que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou proposta que determina que o simples consumo de bebida alcoólica ou de droga, sem a prática de crime, deixa de resultar na perda automática do porte de arma, diferente do que está atualmente previsto no Estatuto do Desarmamento.
O projeto, que tem como relator o deputado Marcos Pollon (PL-MS), que seguirá para a sanção presidencial caso não haja necessidade de análise do Plenário, prevê que a arma passa a ser apreendida temporariamente, com a autorização suspensa até que não haja os efeitos da substâncias, sejam elas lícitas ou ilícitas.
No mais, se constatado o consumo através de perícia, o texto aprovado pela Comissão determina que seja aplicada uma multa de 50% do valor da arma e, a partir do pagamento, a autorização é automaticamente restaurada.
‘Nem precisa ser vício: estudo mostra que uso esporádico de maconha já afeta o cérebro dos adolescentes’
Quem acompanha o campo sobre consumo de drogas com um olhar que foge das artimanhas dos discursos proibicionistas e punitivistas, provavelmente já topou com falas de Sidarta Ribeiro sobre a necessidade de cuidado no consumo de maconha por pessoas que fazem parte de possíveis grupos de riscos. Segundo o neurocientista, crianças e adolescentes, por estarem em fase de maturação cerebral, fazem parte deste círculo.
Considerando isso, saiu uma matéria sobre o assunto na revista Crescer que merece destaque, sobretudo por esse parágrafo, que replico na íntegra:
“Especialistas reforçam que o caminho não passa pelo medo ou pelo discurso punitivo, mas por conversas frequentes, abertas e sem julgamentos. Falar sobre cannabis desde cedo (e mais de uma vez) ajuda o adolescente a entender riscos reais, sem minimizar nem exagerar.”
Ainda que a matéria tenha um título infeliz, vez que a discussão sobre vícios ignora em muitos dos casos os fatores biopsicossociais individuais, a notícia toca em um ponto de extrema importância ao atribuir aos especialistas um discurso antipunitivista e sem julgamentos. Acolher, explicar os reais motivos sem amedrontar, é essencial para orientar esse grupo a fazer melhores escolhas.
Aproveito para deixar um link para o vídeo do Sidarta Ribeiro, em entrevista para o Canal Livre da Band, no qual ele aborda sobre questões de uso precoce e abusivo e é ótimo para qualificar o debate e a nossa contra argumentação – assista aqui.
‘Cientistas descobrem a origem do THC, CBD e CBC e abrem caminho para novos medicamentos’
Agora, uma notícia da editoria científica que ao mesmo tempo que é interessante nos acende um alerta para um movimento crescente e proposital que se concentra no avanço da indústria farmacêutica.
Saiu na Galileu que um estudo da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), na Holanda, descobriu como a Cannabis produz os canabinoides como o THC, CBD E CBC e os impactos desse achado na produção de novos medicamentos.
A questão crucial aqui é equilibrar o avanço científico e suas possibilidades sem distanciar, ou até mesmo vetar a relação humano-planta ancestral, uma vez que pode refletir diretamente em questões regulatórias e resume os potenciais terapêuticos da planta aos canabinoides isolados, os restringindo apenas aos medicamentos vendidos nos balcões das drogarias.
No Brasil, este discurso de medicalização e utilização de produtos que vem da indústria com o discurso de segurança aliada a eficácia – sobretudo quando falamos em canabidiol (CBD) – e o distanciamento do que seria medicinal se contrapondo ao “uso recreacional”, já é amplamente aplicado pelos proibicionistas. Fiquemos de olho!
‘Maduro, Noriega e as drogas: a lei que vale é a dos EUA’
Encerro com uma recomendação de leitura para quem está nadando em confusão sobre as recentes notícias envolvendo a Venezuela e sua conexão com a guerra às drogas. ‘Maduro, Noriega e as drogas: a lei que vale é a dos EUA” é um artigo analítico que traça um panorama geopolítico histórico das investidas estadunidenses, escrito por Paulo J. R. Pereira, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Drogas e Relações Internacionais (NEDRI).
Espero que tenha aproveitado a leitura, até a próxima seleção!


2 Comentário
Gabi Nunes
Adorei o conteúdo, Drika. Feliz 2026 e seguimos na luta. Cheiro.
Comunidade Kamah
Oie, Gabi! Ficamos contentes em saber! Ótimo 2026 pra, gente :)
Agradeço a mensagem
Beijos, Drika <3